Coprofagia: por que seu cão come fezes e como resolver esse problema em apartamentos
Seu cão come fezes e você não sabe mais o que fazer? Calma, você não está sozinho. Esse hábito, chamado coprofagia, é comum em cães de apartamento.
A boa notícia é que, na maioria das vezes, a solução está em ajustes simples na rotina, no ambiente e na alimentação do seu pet.
Este guia prático foi criado para te ajudar a entender por que isso acontece e, mais importante, como resolver o problema de forma definitiva, mesmo morando em um espaço pequeno. Vamos direto ao ponto.
O que é coprofagia e por que acontece tanto em apartamentos?
Coprofagia é o termo técnico para o comportamento de um animal comer fezes, sejam as próprias ou de outros. Parece nojento para nós, mas para o cão, há uma lógica por trás.
Em ambientes urbanos e compactos como apartamentos, esse comportamento pode ser intensificado. A falta de espaço limita as opções de atividade, e a rotina corrida do tutor muitas vezes resulta em um cão entediado ou ansioso.
Entender a causa raiz é o primeiro passo para corrigir o hábito. Não se trata de “mau comportamento” ou “provocação”, mas sim de um sintoma de que algo na rotina ou na saúde do seu cão precisa de atenção.
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As 4 causas mais comuns que fazem seu cão comer fezes
Identificar o gatilho é fundamental. Em 90% dos casos de cães em apartamentos, a coprofagia se encaixa em uma destas quatro categorias. Analise a rotina do seu pet e veja qual faz mais sentido.
1. Tédio e falta de estímulo mental
Cães de raças pequenas são, muitas vezes, cheios de energia. Quando presos em um apartamento o dia todo sem nada para fazer, eles procuram qualquer tipo de distração.
Comer fezes pode se tornar uma “atividade”. É uma forma de interagir com algo no ambiente, especialmente se o cão passa longos períodos sozinho e sem brinquedos que desafiem sua mente.
2. Problemas na alimentação ou saúde
Uma dieta pobre em nutrientes pode levar o cão a buscar nas fezes aquilo que falta em sua comida. Fezes mal digeridas ainda contêm resíduos de nutrientes, o que as torna “atraentes”.
Além disso, a presença de vermes intestinais pode interferir na absorção de nutrientes, levando ao mesmo comportamento. É um ciclo vicioso: a má digestão gera fezes “interessantes” para o cão.
3. Ansiedade de separação
Tutores com rotinas corridas frequentemente deixam seus cães sozinhos por horas. Essa solidão pode gerar uma ansiedade profunda, e a coprofagia surge como um comportamento compulsivo para aliviar o estresse.
É como roer as unhas para um humano. O ato de comer as fezes se torna um mecanismo de escape para o desconforto emocional que o cão sente ao ficar só.
4. Instinto e limpeza do ambiente
Para os cães, manter o local onde dormem e comem limpo é um instinto ancestral. Uma mãe, por exemplo, come as fezes dos filhotes para manter o “ninho” limpo.
Se as fezes ficam muito tempo no tapete higiênico, o cão pode simplesmente estar tentando “limpar” seu espaço. Ele não entende que aquilo é nojento para nós.
Como resolver a coprofagia: um plano de ação imediato
Chega de teoria. A seguir, um passo a passo prático, pensado para quem tem uma rotina agitada e mora em apartamento. Siga a ordem e seja consistente. Os resultados costumam aparecer em uma a duas semanas.
Limpeza instantânea é a regra número 1
Assim que seu cão defecar, remova as fezes imediatamente. Idealmente, em menos de 5 minutos. O objetivo é quebrar o ciclo: se não há fezes, não há como comê-las. Isso impede que o hábito se fortaleça.
Crie uma rotina de banheiro previsível
Leve seu cão para passear 3 vezes ao dia, sempre nos mesmos horários (ex: 7h, 13h, 20h). Cães são criaturas de hábitos. Uma rotina fixa ajuda a regular o intestino e cria oportunidades para ele fazer as necessidades na rua, onde você pode limpar na hora.
Ajuste a alimentação com foco na digestão
Invista em uma ração de alta qualidade (premium ou super premium) para raças pequenas. Elas possuem melhores ingredientes e probióticos, que melhoram a digestão e reduzem os nutrientes residuais nas fezes, tornando-as menos atraentes.
Enriqueça o ambiente contra o tédio
Deixe brinquedos interativos recheados com petiscos quando ele estiver sozinho. Um Kong com pasta de amendoim (própria para cães) ou ração úmida pode manter a mente dele ocupada por horas, diminuindo o tédio e a ansiedade.
Use o “truque” do abacaxi ou da abóbora
Adicionar um pedacinho de abacaxi ou uma colher de chá de purê de abóbora na ração pode alterar o sabor das fezes, tornando-as amargas e desagradáveis para o cão. Consulte o veterinário sobre a quantidade ideal.
Enriquecimento ambiental: transformando seu apartamento em um parque de diversões
Um apartamento pequeno não precisa ser um ambiente entediante. Com criatividade, você pode estimular os instintos naturais do seu cão e gastar sua energia mental.
Brinquedos que desafiam a mente
Esqueça os brinquedos simples. Invista em opções que façam seu cão pensar para conseguir uma recompensa.
- Brinquedos recheáveis: Como o Kong, que pode ser preenchido com comida.
- Quebra-cabeças para cães: Tabuleiros com compartimentos onde você esconde petiscos.
- Bolas dispensadoras de ração: Ele precisa rolar a bola para que os grãos caiam.
Jogos de faro fáceis de fazer
O olfato é o sentido mais poderoso do cão. Usá-lo cansa mais do que uma caminhada.
- Pegue uma toalha velha e espalhe alguns grãos de ração ou petiscos sobre ela.
- Enrole a toalha de forma desajeitada, escondendo a comida.
- Ofereça ao seu cão e deixe que ele use o faro para encontrar as recompensas.
Essa atividade simples pode mantê-lo entretido por um bom tempo e é perfeita para dias de chuva ou quando você não tem tempo para um passeio longo.
Ajustes na dieta que fazem a diferença
Muitas vezes, a solução para a coprofagia está no prato de comida do seu cão. Uma digestão eficiente é a chave para fezes menos “apetitosas”.
Como escolher a ração certa
Olhe além do marketing na embalagem. Leia a lista de ingredientes.
- Primeiro ingrediente: Deve ser uma proteína de qualidade (ex: “carne de frango”, “farinha de vísceras de aves”). Evite rações que começam com milho ou soja.
- Fibras e probióticos: Ingredientes como polpa de beterraba, MOS e FOS ajudam na saúde intestinal.
- Específica para porte pequeno: O tamanho do grão é adaptado e a formulação atende às necessidades energéticas de raças menores.
Suplementos que podem ajudar
Alguns complementos, sempre com orientação veterinária, podem melhorar a digestão e alterar o odor das fezes.
- Probióticos: Ajudam a equilibrar a flora intestinal. Existem produtos específicos para cães.
- Enzimas digestivas: Auxiliam na quebra dos alimentos, melhorando a absorção de nutrientes.
- Fermento de cerveja: Uma pequena quantidade pode ajudar a tornar o sabor das fezes desagradável.
Alerta importante: Nunca introduza vários suplementos de uma vez. Converse com um veterinário para entender a real necessidade e a dosagem correta para o seu cão.
O que NUNCA fazer ao lidar com a coprofagia
A forma como você reage ao comportamento pode piorar a situação. Evitar esses erros é tão importante quanto seguir as dicas certas.
Não brigue ou esfregue o focinho dele nas fezes
Isso é cruel e ineficaz. O cão não vai entender a relação entre a punição e o ato de comer as fezes. Pelo contrário, ele pode aprender a comer as fezes mais rápido, na sua ausência, para evitar a bronca.
Essa atitude gera medo e ansiedade, que são justamente dois dos principais gatilhos para a coprofagia.
Não dê atenção excessiva ao comportamento
Correr e gritar “NÃO!” de forma desesperada pode ser interpretado pelo cão como uma forma de chamar sua atenção. Ele pode começar a comer as fezes justamente para conseguir essa reação.
O ideal é agir de forma neutra e rápida: limpe sem alarde e redirecione a atenção dele para um brinquedo ou outra atividade.

Quando procurar ajuda profissional?
Se você aplicou todas as dicas de forma consistente por duas a três semanas e não viu nenhuma melhora, é hora de buscar ajuda especializada.
A coprofagia persistente pode ser um sinal de problemas de saúde mais sérios que precisam de investigação.
Sinais de alerta que exigem uma visita ao veterinário
Não hesite em marcar uma consulta se, junto com a coprofagia, seu cão apresentar:
- Perda de peso ou falta de apetite.
- Vômitos ou diarreia frequentes.
- Mudanças drásticas de comportamento, como apatia ou agressividade.
- Presença de vermes visíveis nas fezes.
O veterinário poderá solicitar um exame de fezes para verificar a presença de parasitas e avaliar a saúde geral do seu pet para descartar causas médicas.
Adestrador ou comportamentalista: quando chamar?
Se as causas médicas foram descartadas, o problema é puramente comportamental. Um profissional qualificado pode ajudar.
Um adestrador com foco em reforço positivo pode te ensinar a usar comandos como “deixa” e a criar uma rotina de treinos que fortaleça o vínculo entre vocês e reduza a ansiedade do cão.
Busque por profissionais com certificação e peça referências. Plataformas como a DogHero ou a Petlove podem conectar você a adestradores avaliados por outros tutores.
Prevenção: como evitar que um novo filhote desenvolva o hábito
Se você está trazendo um filhote para seu apartamento, pode tomar medidas desde o primeiro dia para evitar que a coprofagia sequer comece.
- Crie uma rotina desde cedo: Horários fixos para comer, brincar e ir ao banheiro.
- Invista em socialização: Apresente seu filhote a outros cães e pessoas de forma segura. Isso ajuda a construir um cão mais confiante e menos ansioso.
- Capriche no enriquecimento ambiental: Ofereça muitos brinquedos e desafios mentais desde o início.
- Mantenha o ambiente limpo: Nunca deixe fezes no tapete higiênico por muito tempo.
Um filhote que cresce com a mente e o corpo estimulados tem muito menos chances de desenvolver comportamentos indesejados.
Lembre-se: resolver a coprofagia exige paciência e consistência. Comece hoje mesmo a aplicar essas mudanças na rotina e observe a evolução do seu cão.
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